O salão Das cruzes

Tem muitas frases que escutamos de pessoas que querem nos consolar de verdade, que tem boa intenção mas que não sabem muito o que dizer, entre tantas do tipo "era a hora dela" e "Deus quis assim" ouvi e ouço muito a frase "Deus nunca da a cruz maior que agente pode carregar"; mas nunca pensei a fundo sobre essas frases prontas que tanta gente diz. Ontem estava em uma conversa com meu marido e perguntando o porque isso tinha que acontecer conosco, dizendo mais uma vez a ele o quanto não acredito que tudo o que aconteceu é verdade e de como conseguimos enterre-la, então me dei conta que estava sendo egoísta, que ela além de sentir essa saudade que sentimos passou por tuda a dor carnal e também aguenta a saudade e a dor da separação, parei por um minuto e lembrei de um dos post que coloquei aqui sobre como a nossa falta de fé faz mal para os que já morreram e tentei me recompor, comecei a lembrar das tantas frases que escutamos ao longo desse tempo e tentar entender seu sentido a fundo, lembrei da frase  "Deus nunca da a cruz maior que agente pode carregar" e lembrei de uma história que carrego comigo a não sei bem quanto tempo, do salão das cruzes. Vou conta-la com minhas palavras porque não sei bem onde ouvi e procurei mas não a encontrei, conta a história de um homem que não aguentava mais sua cruz, a achava pesada, tão pesada que rezou e pediu que Deus a aliviasse. Deus veio e disse a ele que entrasse no salão das cruzes deixasse a sua e  escolhese outra , o homem muito feliz que seu fardo iria diminuir entrou na sala e começou a olhar, havia muitas cruzes de todos os tamanhos e pesos, largar, finas, grandes, pesadas; depois de examinar todo o salão com muita calma viu uma cruz pequena encostada em uma parede, olhou, a segurou e a achou leve, então disse a Deus: "é essa que aguento levar", nesse momento Deus disse a ele "filho olhe o nome que esta escrito atrás" o homem lendo o nome percebeu ser o seu. Moral da história, Deus nunca da a cruz maior que você pode carregar e quando achar a sua pesada olhe para o lado. Pensando nisso lembrei de tantas mães que passaram e passam por coisas horríveis, lembro de uma que perdeu o marido e a filha de cinco anos em um acidente de carro,  uma que perdeu duas filhas e de outra que perdeu gêmeos, um após o outro,  lembro de mães que veêm seu filhos sofrer dia após dia, ou de mães que carregaram seus filho por nove meses na barriga e não chegaram nem a carrega-los no colo, assim percebi que tenho muito em comum com o homem no salão das cruzes.

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