Você sabe?



Como fazer a nossa rotina voltar ao normal, se não sabemos como fazer isso? Como reaprender a viver sabendo que não há volta? Alguns machucados vão tão fundo na alma que nos modificam para sempre. 



Minha postagem hoje seria contando a vocês a noite que tivemos em família ontem que me fez muito feliz, e assim permaneci até a hora de irmos deitar (como muitas noites), mas antes de lhes contar o porque de tanta felicidade, vou explicar o porque comecei o post de hoje com essas inúmeras perguntas...Hoje pela manhã fui tomar um chimarrão no sítio com meus pais e meu marido. Tomamos chimarrão e depois um belo café regado com o carinhos que só existe na casa da vovó, terminando o café vim para casa para cumprir meus afazeres domésticos (adoro), já eram quase meio dia quando meu marido ligou com uma voz triste perguntando se eu não poderia ir almoçar com meus pais e ele (no sítio onde trabalham) como esse sítio fica  apenas umas duas quadras de onde moramos não vi problema algum, claro que achei estranho o pedido dela afinal ele "dá um dedinho"
para almoçar em casa. Chegando lá percebi ele abatido mas não quiz perguntar nada na frente de meus pais para não abranger seus corações com a angustia que vi nos olhos do Giovani. Passado o almoço minha mãe foi até a cidade para uma consulta médica e meu pai foi tomar seu "remediozinho" como ele chama a cesta de depois do almoço, só então perguntei para meu marido o que havia acontecido, vi seus olhos se encherem de lágrimas enquanto ele me contava o porque ficou tão agoniado a manhã toda. Para você entenderem melhor vou contar duas coisas, 
*no sítio onde meus pais e ele trabalham há um casal de cachorros de guarda,
*meu marido era agricultor, criava porcos e galinhas e já carrega nas costas a morte de muitos deles, "ossos do ofício"



Continuando, meu marido me contou que os cachorrões haviam matado uma raposa essa noite, até ai nada de anormal, após o café ele foi então pegar a raposa para enterrar, quando levantou-a caiu de sua bolsa (na barriga) os filhotinhos dela ainda com os olhinhos fechados, quando ele me disse isso até eu senti a angustia que tomou conta dele, nas palavras dele: -Os bichinhos estavam ainda de olhinhos fechados, eu pensei em salva-los mas não sabia como, ela é um animal nojento sim mas era a mãezinha deles, olhei para os pobrezinhos coloquei junto com a mãe deles em um saco e coloquei lá na valeta (lugar de entulhos), até agora estou agoniado mas não sabia o que fazer...
Não sei bem o que senti na hora mas chegou me dar uma vontade de ir lá ver eles, cheguei a perguntar para meu marido o porque não matou os bichinhos para terminar com a angústia e sofrimento deles, mas ele disse não ter coragem...Achei muito estranho meu marido matava porcos de sei lá 90 kg, e hoje não consegue matar uma galinha sem ter dó do animal...
Vim para a casa pensando e não consegui não escrever isso para vocês, pode parecer que ele foi o ruim dessa história, mas não havia mais o que fazer...Por isso coloquei todas essas perguntas no começo dessa postagem, já havia escrito elas a dias, achei que se encaixam perfeitamente nesse episódio...Como conseguimos voltar a ser como éramos antes de perde-la? eu e ele estamos modificados para sempre, a dor de perde-la cresce a cada dia, eu ainda não consegui lembrar no meu coração o que aconteceu, acho que por falta de coragem, enquanto meu marido me disse que lembra da Helena como se fosse hoje, uma benção na minha opinião, eu quando peço a Nossa Senhora que me ajude a lembrar sempre vem acompanhado da frase "se a senhora acha que vou aguentar" e até hoje ainda não consegui lembrar, acredito que não saberia mais como viver sabendo interiormente que nunca mais a verei em vida...Sabendo que não há como voltar 


2 comentários:

  1. minha querida,infelizmente ou felizmente é a lei da vida NASCER E MORRER,vivemos e nem sabemos pra onde vamos.é a lei da vida.coragem pra seguir em frente .bjss no seu coração.

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    1. Infelizmente é isso mesmo, não necessariamente nessa mesma ordem, tenho coragem sim, um beijo Andrea e um ótimo feriado, e muito obrigada pela visita.

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