Visita ao cemitério


                                           Baby Angel 3
Aos bebês que dormem embalados pelo doce som da voz de Deus..
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"... O lugar aonde estão, pertence somente aos que não conheceram o pecado e as vergonhas deste mundo, é um lugar onde não há dor, nem choro, só existe a alegria e o contentamento. Repousam sobre os braços daquele que os criou, pois a Ele é que pertencem, jamais foram nossos de verdade, pois os filhos são herança de DEUS... "

Ontem estivemos novamente no lugar onde me despedi do corpo de minha Helena, nunca havia ficado tanto tempo sem ir lá, um mês e 15 dias, fomos no dia de finados. Ontem o dia começou diferente, acordei tão triste como não acontecia fazia algum tempo, levantei e antes mesmo de tomar café vim até o computador para fazer o pots "Vamos celebrar a vida" escrevi e chorei muito como nos dias que seguiram a morte dela, meu marido chegou somente ao meio dia, combinamos de ir até o cemitério a tardinha. Sabe quando tudo o que você faz na vida vai perdendo o sentindo, até as velinhas que mantenho na gruta estão apagadas a uns dois dias, ando em um desanimo da vida que nem eu entendo muito bem, com uma vontade ficar dormindo, sei lá. Pegamos o carro e por volta das cinco da tarde saímos  chegamos lá já eram quase sete horas, meu marido já estava aos prantos como nas primeiras vezes que fomos até lá, compramos uma rosa para cada uma como fizemos sempre, uma para a prima Daia e uma para nossa Helena, sempre botões brancos, para nós simbolizam a pouca idade delas e a cor simboliza a inocência com que as duas faleceram, sem conhecerem o mal do mundo. Entramos e fomos até onde elas repousam embaladas por sons dos pássaros  realmente sei que para elas isso não importa que onde elas estão hoje há sons muito mais lindos que esses, mas olhar aquele verde, escutar aqueles pássaros de certa forma é reconfortante, gosto de imaginar que elas vem nos receber quando vamos acender velas por isso tento não me desesperar para que ela me veja com saudade mas bem, e é como disse ao alemão ontem, que estou tão anestesiada que já nem sei mais o que pensar, chego lá e imagino ela lá dentro, lembro quando a deixei lá, longe de mim, e perco as forças de viver, então com o tempo vou trancando mais fundo o que sinto e acho que por isso estou assim tão fora de mim, muitas pessoas me dizem para viver meu luto, que vou melhor, mas na realidade não sei como fazer isso.O Giovane como qualquer pai, chegou lá e ficou muito perturbado, chorou muito e ascendemos as velas limpamos o vidro da gavetinha onde elas estão e fomos para o carro, vi ele alterado mais que o normal, então ele me olhou e disse: -"Eu não consigo aceitar, sei que faz mal a ela, mas fico me perguntando porque tinha que acontecer, e....nesse momento ele se desesperou -"peço perdão a ela todos os dias por não ter a salvo" nesse momento ele se desesperou como fazia muito tempo que não acontecia, eu não sabia o que dizer só pedi que ele tivesse fé e que não fizesse isso, que sei que ela com certeza não culpa ele de absolutamente nada e pedi que ele tentasse se dominar porque naquele dia não pudemos fazer nada para ela não sofrer mas que agora a única coisa que temos que fazer é tentar ficar bem para ela ficar bem,  na realidade eu não o julgo, eu tenho dias que chego a achar que nada existe e nem vale a pena de verdade, que simplesmente a Helena faleceu e tudo acabou e que ficamos nos iludindo para conseguir viver, acredito que todos tem momentos de fraqueza e descrença, uma dor como essa nos transforma para sempre, muda tudo o que sem tem dentro da gente, suas certezas viram dúvidas e tudo dentro da gente vira de cabeça para baixo, para ele não disse nada porque como nos meus dias de fraqueza ele foi o pilar que me sustentou nos dias em que ele fraqueja eu tenho de ser o porto seguro onde ele consiga se segurar...ontem foi um dia mais difícil que o normal, percebemos que nem os festejos de fim de ano tem sentido, mas vamos seguindo sempre com um peso, vamos levando sem nem saber quem somos e o que sentimos de verdade, normal para quem teve de ver seu bem mais querido ser retirado tão violentamente de nossa companhia.



4 comentários:

  1. Tatiana me desculpe mais hoje preciso te dizer que fiz o mesmo , todo dia 18 vou até o Jardim do Lucca e lá me seguro , a algum tempo levo meus outros filhos também , e hoje estou mais triste ainda porque quando me desfiz das coisinhas dele acabei dando o berço e as malas de maternidade para uma tia que estava grávida , pensei que não me importaria mais hoje , justo hoje quatro meses depois da sua morte a Heloísa nasceu , e eu perdi meu chão , como posso chegar lá ela tão cheia de vida e meu filho , todo mundo se esqueceu do meu filho , eu sou mãe de um bebê de quatro meses eu pari a quatro meses mais sou um animal sem cria , como posso olhar para a Helô e disfarçar a pontinha de inveja que tô da mãe dela , e não pensar que quando voltar para casa vai estrear o berço que o Lucca nunca vai usar , não é pelo material mais é pela perca , aceitação , hoje tô brava com Deus , porque devo ser mesmo alguém muito ruim para não merecer essa felicidade , devo ter errado muito para ele me castigar assim , e ainda me largar aqui tomando doses diárias de um veneno letal que é a saudade , entendo você se sentir oca , eu não consigo mais viver assim.....tá me matando...

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    1. Meus sentimentos, eu não a conheço, mas desejo que Deus te dê forças. Vou incluir você e seu pequeno em minhas orações, beijos.

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  2. Não fica assim Tati, tenho rezado todos os dias por vocês e sei que Deus vai te confortar e te dar forças.
    Ah, e tem um selinho pra você no meu Blog

    http://comosermaedeumprincipe.blogspot.com.br/2012/12/mais-selinhos.html

    Beijos e forças.

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    1. Olá querida, tudo tem sido corrido, desculpe a demora da resposta, adorei, beijos e que Deus abençoe seu ano

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