Homens e mulheres vivem o processo do luto de formas diferentes



A muito tempo queria contar como eu e meu marido vivemos depois da perda. Ainda nos dias de hoje o lazer é estranho e desde que a perdemos nos afundamos mais e mais no trabalho e nas atividades domésticas, em fins de semana que não havia mais o que fazer, cortávamos arvores, construíamosdestruíamos  alguma coisa sempre ocupava nosso tempo, hoje não é muito diferente mas já conseguimos ir ao cinema, um dos nossos programas favoritos, e saímos jantar fora umas duas vezes. Na relação marido e mulher vimos tudo ser abalado, durante nove meses nos preparamos para viver para a Helena e não ter nenhum tempo ou pouco tempo para a relação a dois, com tudo o que aconteceu tínhamos tempo de sobra mas cabeça para conseguir ter a leveza de um relacionamento antes da perda é que nunca mais tivemos. Como me dedico muito ao blog e página dela no Facebook já estou acostumada a ver fotos dela e falar dela o dia todo, meu marido não, e eu insistentemente o fazia olhar, não por maldade mas para mostrar os avanços, elogios e palavras de conforto que tantas pessoas deixam para nós, ele ficava uma meia hora não mais que isso em frente ao PC e ficava uma ou duas horas chorando. Eu ficava muito chateada e ficava pensando que ele não conseguia segurar a dor como eu, por um objetivo, hoje quase um ano depois eu aprendi as limitações de meu marido, ele sofre de forma diferente, ele não consegue olhar não por não querer, mas por não conseguir, tudo o que aconteceu na mente dele é mais nítido por isso ele não consegue. Hoje aprendi a respeitar seu modo de sofrer, mais de um ano depois, e ainda assim, as vezes me excedo  li uma matéria bem interessante que quero compartilhar com vocês, é da revista eletrônica Mulheres feridas que Voam




Quando percebemos que nosso marido não sofre a perda, da mesma maneira que nós,ficamos muito decepcionadas. Achamos que  o como e  o quando  ele sofre é errado e não entendemos que as diferenças biológicas de personalidade, de educação, experiências de vida e ate as responsabilidades existentes no momento da dor, são fatores que vão determinar a nossa forma de viver o luto.Normalmente o homem e mulher tem ritmos diferentes nos processos e desempenho de tarefas do dia a dia e isso não é diferente   dentro e através dos processos  do luto. Enquanto ele tenta ser “forte”, nós sofrendo intensamente.E sendo “Forte”ele consegue resolver as coisas necessárias  e praticas em vez de focalizar na dor como nós fazemos ,mas, esse ser “Forte”  dele pode significar a luta pra não ser tragado emocionalmente pela dor.Já nós  que quase sempre queremos falar sobre perda, achamos o silêncio  do nosso marido frustrante e irritante e enquanto eles odeiam a não pressão pra ele conversar conosco sobre o assunto.
Pode acontecer também que tenhamos sentimentos mais fortes ou um certo sentimento logo após a perda, enquanto ele pode sentir essas coisas mais tarde ,quem sabe também  naqueles dias  quando estivermos ainda mais deprimidas  e ele pode se mostrar muito empolgado com a partida de futebol na televisão, o que certamente vai nos deixar gritar irritadas: “Como você se atreve a  si diverti quando o nosso filho está morto?”..calma…respire…fundo….pois nenhum  ritmo e forma de luto é melhor que o outro. Não há base científica para dizer  que nosso ritmo de luto é melhor que o dele,são simplesmente diferentes. Ele pode  se mover mais rápido tomar decisões com mais facilidade enfim “funcionar” melhor que nós,mas,cultivar sentimentos de superioridade ou inferioridade sobre o ritmo  do luto um do outro só vai trazer desgastes ainda maiores ao relacionamento.
Assim é importante aprendermos a parar e tolerar as diferenças existentes , na intenção de a paz na nossa família depois dessa tragedia.Infelizmente não há um caminho único não existe uma formula ou um série de passos que vão garantir um resultado satisfatório pois cada casal começa o luto de uma situação diferente,tem problemas,recursos, históricos ,valores e experiencias diferentes.Assim cada “viagem” é unica e o peso da bagagem que acumulamos ao longo das nossas vidas terá um papel fundamental nesse crucial momento,mas,certamente entender,respeitar e aceitar a forma que nosso marido luta com a dor  é um gesto de sabedoria que trará benefícios para toda a família.


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